O avesso da trama da patrimonialização : processos de tombamento de coleções e acervos arquivados em estágio de instrução indeferido (Iphan, 1937-2017)

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2022

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Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Resumo

Procuramos através deste trabalho entender as práticas voltadas à patrimonialização de bens culturais móveis – desenvolvidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – a partir de processos que resultaram em arquivamento pelo indeferimento dos pedidos de tombamento. Como objeto de nossa pesquisa, esses processos voltam-se a coleções e acervos indicados para o tombamento, selecionados em um recorte temporal de 80 anos da trajetória do Iphan e da aplicação do Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, que organizou a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. Como esses processos são raramente revisitados no cotidiano institucional, resolvemos pesquisá-los e analisá-los, com a finalidade de entender seus desfechos e recuperá-los como memória institucional constituída e oferecida pelos seus conteúdos. Associados, portanto, a outra face da patrimonialização, aquela que acaba por não atender aos pedidos de tombamento, esses processos ofereceram-nos, através de suas análises, informações, pontos de vista e elementos arranjados em sua instrução, os quais nos permitiram entender o que contribuiu para que não se selecionassem as coleções e acervos propostos para o tombamento, para além da interpretação técnica sobre valores e significados culturais representados nesses bens. Por fim, o trabalho contribuiu para o conhecimento de questões e reflexões técnicas relativas à identificação e à proteção de acervos museológicos e acervos documentais. Apontadas nos processos e incorporadas em nossa análise, revelaram sua importância como referencial ao debate e aperfeiçoamento das práticas institucionais voltadas à preservação dos bens culturais móveis.

Descrição

200 f. SUMÁRIO INTRODUÇÃO........................................................................................................................14 1 A CONSTRUÇÃO DE OLHARES SOBRE O OBJETO................................................30 1.1 A construção dos sentidos dados à preservação do patrimônio cultural e do lugar do Iphan como sujeito de seu reconhecimento..........................................................................30 1.1.1 A conformação do campo cultural brasileiro e a construção de políticas públicas para o setor cultural ..........................................................................................................31 1.1.2 A proteção e o Iphan: entre a dimensão simbólica e a dimensão política da constituição do patrimônio cultural ..................................................................................35 1.1.3 Compreensões do patrimônio e de sua proteção: entre Decreto-Lei nº 25, de 1937 e Constituição Federal, de 1988 ..............................................................................42 1.1.4 Denominações e estruturas institucionais adotadas nos tempos de tramitação dos processos...........................................................................................................................46 1.2 Processos de tombamento como um jogo: modos de se entender o indeferimento no processo de patrimonialização de bens culturais..................................................................49 1.3 Expressões da condução do processo da patrimonialização: os elementos-chave apontados para a análise dos processos................................................................................56 1.3.1 A identificação....................................................................................................58 1.3.2 Origem do pedido de tombamento, atribuição de significados e valores ao bem e avaliação das propostas de tombamento...........................................................................60 1.3.3 Interlocuções entre os processos ........................................................................62 2 ANÁLISE DOS PROCESSOS COM ESTÁGIO DE INSTRUÇÃO INDEFERIDO: O QUE FALAM E O QUE NOS ESTIMULAM A DIZER........................................................64 2.1 1938: dois processos de tombamento para duas coleções particulares......................64 2.2 1945: um processo de tombamento para peças de mobiliário ...................................74 2.3 1974: um processo de tombamento para uma coleção particular ..............................82 2.4 1985: um processo de tombamento para um acervo documental ..............................91 2.5 1987: um processo de tombamento para um acervo de empresa pública ..................98 2.6 1987: um processo de tombamento para um acervo museológico privado .............113 2.7 1997: três processos de tombamento para coleções de três museus públicos .........120 2.8 1998: um processo de tombamento para um acervo museológico pertencente a uma autarquia federal .................................................................................................................139 2.9 2008: um processo de tombamento para distintos acervos de natureza material ....144 3 A TRAMA......................................................................................................................155 3.1 Os valores estáveis: memória e identidade homogêneas.........................................155 3.2 Entre referências estáveis e novos posicionamentos de identidade: permanências versus deslocamentos .........................................................................................................159 3.3 A proteção das coleções dos museus públicos federais nas décadas de 1980 e 1990: aproximações entre patrimônio, cidadania e mercado........................................................163 3.4 Análise do valor cultural: entre a leitura de valor através da narrativa da coleção exposta e o valor intrínseco a cada objeto da coleção ........................................................165 3.5 Iphan e Ibram: um novo teatro da ação institucional relacionada a museus e proteção de acervos museológicos....................................................................................................168 3.6 O tema da proteção aos acervos documentais reaparece: novos pontos comuns se estabelecem entre processos...............................................................................................172 3.7 A permanência do risco da perda como motivo para o tombamento.......................175 CONCLUSÃO........................................................................................................................177 REFERÊNCIAS .....................................................................................................................185 APÊNDICE ............................................................................................................................200

Palavras-chave

Bens móveis, Coleções, Acervos, Patrimonialização, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Brasil), Brasil, Mobile goods, Collections, Heritage protection, Brazil

Citação

ORTIZ, Eliza Piccoli. O avesso da trama da patrimonialização: processos de tombamento de coleções e acervos arquivados em estágio de instrução indeferido (Iphan, 1937-2017). 2022. Dissertação (Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural) -- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 2022.