O desafio da preservação do patrimônio arquitetônico modernista no Rio de Janeiro

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Data

2012

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Iphan

Resumo

Este trabalho tem por objetivo traçar um panorama das ações de salvaguarda empreendidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sobre a produção arquitetônica modernista no estado do Rio de Janeiro, utilizando-se como instrumento de análise os processos de tombamento instaurados pela instituição, desde sua fundação até os dias de hoje. Tal empreitada teve como principal motivador uma demanda surgida no interior da Superintendência Estadual do Iphan no Rio de Janeiro, após a constatação da incipiente quantidade de bens tombados nessa categoria e do pujante acervo remanescente, entregue à descaracterização e na iminência de desaparecimento. Antes de partir para a investigação documental, procurou-se reconstituir a trajetória do movimento arquitetônico modernista no Brasil, plural em suas manifestações, mas aderindo com maior contundência à corrente funcionalista. Sobre essa modalidade, fez-se patente a influência do teórico franco-suíço Le Corbusier, que culminou com o surgimento de uma expressão plástica própria, desenvolvida em solo nacional. Esta linguagem, criada e conduzida por profissionais brasileiros do campo da arquitetura e da construção civil, viria a contribuir para a disseminação de modelos que seriam reproduzidos em larga escala no país e no resto do mundo. Procuraram-se destacar alguns desses principais expoentes e suas contribuições para o léxico arquitetônico da então chamada “escola carioca”, indicando exemplares que denotam a originalidade e excepcionalidade de algumas obras. O impacto de algumas legislações e de outros fatores que exerceram influência sobre as ações de salvaguarda colocadas em prática pelo Iphan também foram estudados, bem como alguns tombamentos considerados emblemáticos, realizados fora do estado do Rio de Janeiro. Por fim, uma análise mais aprofundada, utilizando-se como principal suporte os processos de tombamento de obras modernistas no Rio de Janeiro, foi realizada. O cotejamento de informações colhidas diretamente de fontes primárias do acervo do Arquivo Central do Iphan, Seção Rio de Janeiro, com dados pesquisados em bibliografia relativa ao tema, e de amplo reconhecimento pelo meio científico, permitiu uma reflexão sobre as condicionantes que levaram a esses tombamentos. Dessa forma, foi possível suscitar uma discussão sobre a atuação do Iphan até então e sobre o protagonismo a ser desempenhado pela instituição daqui por diante, em relação às perspectivas futuras de proteção desse tipo específico de patrimônio cultural.

Descrição

189 f. Sumário Introdução: O legado arquitetônico modernista do Rio de Janeiro: a história escrita com edifícios e a luta pelo não esquecimento ...........................................22 Capítulo 1: Da corrente funcionalista de Le Corbusier à gênese de uma proposta arquitetônica modernista carioca ...........................................................28 1.1 Apresentando Charles-Edouard Jeanneret-Gris: “Le Corbusier”………………………...29 1.2 As visitas de Le Corbusier ao Brasil e a influência do modernismo corbusieriano na arquitetura do país .......................................................31 1.3 A diversidade dos movimentos modernos no Brasil e a prevalência de um paradigma.....41 1.4 A “Escola Carioca”: modernismo com jeitinho brasileiro .................................................48 1.4.1 Lucio Costa .....................................................................................................................51 1.4.2 Affonso Eduardo Reidy ..................................................................................................54 1.4.3 Oscar Niemeyer ...............................................................................................................58 1.4.4 Irmãos Roberto ................................................................................................................65 1.4.5 Jorge Machado Moreira ..................................................................................................70 1.4.6 Francisco Bolonha ...........................................................................................................73 1.4.7 Roberto Burle Marx ........................................................................................................76 1.4.8 Sérgio Bernardes .............................................................................................................79 1.4.9 Outros expoentes do movimento modernista no Rio de Janeiro .....................................83 1.5 Ausências, permanências e desafios ..................................................................................83 Capítulo 2: Das políticas de proteção empreendidas pelo IPHAN sobre o patrimônio modernista ............................87 2.1 Panorama dos primeiros tombamentos modernistas realizados pelo IPHAN no país ..................................................................................................................................................88 2.2 Contexto político e legislações ..........................................................................................91 2.3 Os tombamentos da produção modernista em números .....................................................94 2.4 Três tombamentos emblemáticos fora do Rio de Janeiro ................................................103 2.4.1 A Casa Modernista de Warchavchik na Rua Santa Cruz, em São Paulo (1986) ......................................104 2.4.2 O Pavilhão Luiz Nunes, em Pernambuco (1998) .........................................................................................................116 2.4.3 O Centro Histórico do Município de Cataguases, em Minas Gerais (2003) .........................................................127 Capítulo 3: Dos tombamentos da produção arquitetônica modernista realizados pelo IPHAN no Rio de Janeiro ...................................................137 3.1 Apontamentos sobre os processos de tombamento no Rio de Janeiro .............................138 3.1.1 O Edifício do MESP (1948) ..........................................................................................138 3.1.2 A Antiga Estação de Hidroaviões do Rio de Janeiro (1957) .....................................................146 3.1.3 O Parque do Flamengo (1965) ......................................................................................150 3.1.4 A Chácara do Céu (1974) ..............................................................................................155 3.1.5 A Sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) (1984) .................................................................................................................................................159 3.1.6 O Hotel do Parque São Clemente (1985) ......................................................................164 3.1.7 O Conjunto Residencial do Parque Guinle (1986) ........................................................168 3.1.8 A Casa das Canoas (2007) ............................................................................................176 3.1.9 O Monumento aos Pracinhas (2010) .............................................................................178 Conclusão: Arquitetura modernista carioca e perspectivas futuras ......................................181 Bibliografia ...........................................................................................................................184

Palavras-chave

Patrimônio cultural, Arquitetura, Modernismo, Tombamento

Citação

SILVA, Renato Alves e. O desafio da preservação do patrimônio arquitetônico modernista no Rio de Janeiro. 2012. 189 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural) -- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 2012.