Entre sambaquis, redes e naufrágios: arqueologia costeira no Parque Arqueológico do Sul – SC

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Data

2014

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Editor

Iphan

Resumo

O litoral sul do Estado de Santa Catarina, mais precisamente os municípios de Laguna e Jaguaruna, guardam, entre suas dunas, restingas, lagoas e pessoas, um imenso e rico patrimônio arqueológico. Parte desse patrimônio como os sambaquis, sítios cerâmicos, edifícios coloniais, entre outros, são conhecidos e algum deles foram amplamente estudados, por outro lado, outros estão depositados sob as águas dos rios, lagoas e do mar, sob diferentes formas e tipos, como, sítios pré-coloniais hoje submersos, antigas estruturas portuárias, sítios depositários e principalmente os sítios de naufrágios. Verificou-se que as pesquisas realizadas na região, contemplaram apenas o patrimônio dito consagrado não considerando o patrimônio arqueológico submerso, o que despertou uma grande inquietação, pelo fato de ser uma região com suas tradições e bases culturais voltadas ao mar. Dessa maneira, a pesquisa objetivou mapear os naufrágios ocorridos na região, percebendo sua relação com as pessoas e com o próprio desenvolvimento social e econômico regional. Partiu-se da premissa de que os sítios de naufrágios não representam apenas uma história trágico-marítima, mas um momento da história social, uma vez que contam histórias de pessoas, de rotas marítimas, de sociedades ligadas ao mar, de processos e ciclos econômicos. Foram mapeados diversos naufrágios, muitos deles permanecem vivos na memória dos pescadores mais antigos, alguns foram retratados e marcaram parte de um importante momento da história regional. Nesses sítios, além do tempo, o homem se apresenta como um dos principais agentes destruidores, que não percebe a importância e o potencial documental destes naufrágios. A pesquisa procurou trazer à tona um patrimônio que era esquecido, desguarnecido por uma legislação confusa, e desprotegido da ação de caçadores de tesouro e vendedores de sucata. Apresentamos os sítios arqueológicos de naufrágio como mais um patrimônio regional, que, juntamente com o patrimônio já consagrado, pode qualificar e ampliar a criação do Parque Arqueológico do Sul de Santa Catarina.

Descrição

244 f. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................................19 2 ARQUEOLOGIA SUBAQUÁTICA: PRÁTICAS NO BRASIL E EM SANTA CATARINA..........25 2.1 A GÊNESE DA PESQUISA ARQUEOLÓGICA SUBAQUÁTICA NO BRASIL ......25 2.2 A PESQUISA ARQUEOLÓGICA SUBAQUÁTICA NA PERSPECTIVA CIENTÍFICA: CONTEXTUALIZAÇÃO E ANÁLISE ........28 2.3 ARQUEOLOGIA SUBAQUÁTICA EM SANTA CATARINA: PESQUISA E FRUIÇÃO DO PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO SUBMERSO ........................................38 3 A CONSTRUÇÃO DO PATRIMÔNIO, A DESTRUIÇÃO DO PATRIMÔNIO ....49 3.1 PATRIMÔNIO: UM CONCEITO A SER (RE) DISCUTIDO ......................................49 3.2 MEMÓRIA E PATRIMÔNIO: INTERLAÇANDO CONCEITOS...............................51 3.3 ARQUEOLOGIA E PRESERVAÇÃO: AS CARTAS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS EM DEFESA DO PATRIMÔNIO. .......................................................52 3.3.1 As cartas e convenções internacionais: quando a Arqueologia Subaquática começa a despontar no cenário mundial.........53 3.4 A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA E AS INCONGRUÊNCIAS QUE AFETAM O PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO SUBAQUÁTICO...........................................................60 4 CARACTERIZAÇÃO HISTÓRICA E AMBIENTAL DA ÁREA DA PESQUISA 70 4.1 PARQUE ARQUEOLÓGICO DO SUL – LAGUNA – CABO DE SANTA MARTA.71 4.2 ASPECTOS AMBIENTAIS ................74 4.3 AS PRIMEIRAS SOCIEDADES: O CONTEXTO ARQUEOLÓGICO PRÉCOLONIAL.....................................78 4.3.1 Os Sambaquis: A materialidade de uma sociedade do mar. ...........................................79 4.3.2 Os Ceramistas: Tradição Tupiguarani e Taquara/Tararé ................................................83 4.4 OCUPAÇÃO COLONIAL: AGRICULTORES, PESCADORES, COMERCIANTES E NAVEGADORES. .........86 4.5 O CABO DE SANTA MARTA......................................................................................98 5 O POTENCIAL ARQUEOLÓGICO SUBAQUÁTICO NO PARQUE ARQUEOLÓGICO DO SUL DE SANTA CATARINA...................................................104 5.1 Antecedentes documentais dos naufrágios de Laguna..................................................105 5.2 AS FONTES ORAIS. ...................................................................................................106 5.2.1 “Pequeno” – O jovem pescador. ...................................................................................108 5.2.2 Temóteo - O Pescador...................................................................................................109 5.2.3 Luiz e Quinino – Pescadores.........................................................................................113 5.2.4 Sr. Salvador - O Carpinteiro..........................................................................................116 5.2.5 Adriano – Mergulhador.................................................................................................122 5.3 OS DADOS OBTIDOS. ...............................................................................................123 5.3.1 Naufrágios do Século XVI............................................................................................124 5.3.1.1 Bergatim de Juan de Salazar – 1549......................................................124 5.3.2 Naufrágios do Século XVIII .........................................................................................126 5.3.2.1 Nau Santa Marta – 1735........................................................................126 5.3.3 Naufrágios do Século XIX............................................................................................127 5.3.3.1 Lanchão Rio Pardo – 1839 ....................................................................127 5.3.3.2 Escuna Itaparica – 1839.........................................................................129 5.3.3.3 Navio Pernambucana – 1853.................................................................130 5.3.3.4 Vapor Proteção – 1878 ..........................................................................131 5.3.3.5 Navio Slieglind - 1893...........................................................................131 5.3.4 Naufrágios do Século XX .............................................................................................132 5.3.4.1 Iate Constância – 1904 ..........................................................................132 5.3.4.2 Navio Catalão – 1908 ............................................................................132 5.3.4.3 Navio Laguna – 1921 ............................................................................134 5.3.4.4 Navio Una – 1936..................................................................................136 5.3.4.5 Navio Aldabi – 1937 .............................................................................138 5.3.4.6 Escuna Mira Mar – 1942 .......................................................................141 5.3.4.7 Navio Vaquillona – 1943.......................................................................144 5.3.4.8 Navio Buenos Aires – 1946...................................................................145 5.3.4.9 Navio Guaratinga – 1954.......................................................................147 5.3.4.10 Navio Malteza – 1979 ...........................................................................148 6 CONCLUSÃO ...............................................................................................................164 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................168 APÊNDICES.........................................................................................................................185 Apêndice A - Mapa 01: Área da pesquisa. .............................................................................186 Apêndice B - Mapa 02: Sítios Arqueológicos terrestres da área da pesquisa. .......................187 Apêndice C - Mapa 03: Área de estudo da Scientia Ambiental em 2003. .............................188 Apêndice D - Mapa 04: Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca. ...............................189 Apêndice E - Mapa 05: Área de estudo do GRUPEP Arqueologia em 2010.........................190 Apêndice F - Mapa 06: Sobreposição da APA da Baleia Franca com as áreas estudadas em 2003 e 2010. ..........191 Apêndice G - Mapa 07: Carta Náutica – área da pesquisa. ....................................................192 Apêndice H - Mapa 08: Cabo de Santa Marta Grande e Lage de Campo Bom. ....................193 Apêndice I - Mapa 09: Planisfério de Cantino (1502)............................................................194 Apêndice J - Mapa 10: Aspectos naturais da área da pesquisa. .............................................195 Apêndice K - Mapa 11: Naufrágios com posições confirmadas. ...........................................196 Apêndice L - Mapa 12: Naufrágios da Área da pesquisa.......................................................197 Apêndice M - Mapa 13: Carta Arqueológica do Parque Arqueológico do Sul de .................198 Santa Catarina.........................................................................................................................198 Apêndice N – Detalhamento dos Naufrágios vistos por Imagem de Satélite.........................199 Apêndice O – Lista dos sítios arqueológicos emersos e submersos da área do Parque Arqueológico do Sul de Santa Cataria....................................................................................200 Apêndice P - Roteiro de Entrevista ........................................................................................201

Palavras-chave

Arqueologia subaquática, Patrimônio cultural, Preservação

Citação

DEMATHÉ, Alexandro. Entre sambaquis, redes e naufrágios: arqueologia costeira no Parque Arqueológico do Sul – SC. 2014. 244 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural) -- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 2014.