Navegando por Autor "RIBEIRO, Rafael Winter (presidente)"
Agora exibindo 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
Item Sobrepondo valores: a construção do território de Igarassu/PE(Iphan, 2012) PEREIRA, Julia da Rocha; RIBEIRO, Rafael Winter (presidente); FREIRE, Maria Emília Lopes; FREIRE, Maria Emília Lopes (Supervisores das práticas profissionais na unidade); RIBEIRO, Rafael Winter (presidente); FREIRE, Maria Emília Lopes (coorientadora/supervisora); ARNAUT, Jurema Kopke Eis (MESTRADO/Iphan; AGUIAR, Leila Bianchir – Universidade Federal do Estado do Rio de JaneiroA presente pesquisa se propõe a articular a questão da atribuição de valor, à época do tombamento do sítio histórico de Igarassu-PE e na atualidade, à abordagem territorial, considerando as relações estabelecidas entre o sítio e as demais áreas circunvizinhas. Propõese uma revisão dos valores atribuídos ao Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da cidade de Igarassu-PE, bem protegido desde 1972 pelo Instituo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Partiu-se de uma análise da construção territorial, considerando as articulações de diferentes naturezas estabelecidas entre as áreas de preservação. A questão da escala é uma problemática extremamente necessária à discussão da conservação do patrimônio cultural de Igarassu. A relação com a Ilha de Itamaracá, com o município de Itapissuma, com o Canal de Santa Cruz, com o rio São Domingos e as respectivas conexões por água e por terra são elementos fundamentais à compreensão do patrimônio cultural de Igarassu. A transformação destas relações interfere, portanto, diretamente em seu sítio histórico, o que torna imprescindível o emprego de abordagens em escalas distintas (regional e local) para garantir a conservação. São a combinação e a sobreposição de tais leituras do território que possibilitam compreendê-lo. Foram realizadas análises dos pareceres técnicos e textos relativos ao município de Igarassu-PE contemporâneos ao tombamento, sobretudo no tocante à leitura dos significados de seu patrimônio cultural, viabilizando o estudo das narrativas que elucidam as diferentes percepções dos bens culturais em questão. Foram considerados, também, os outros valores atribuídos por técnicos do Iphan, por agentes do patrimônio, bem como pela população de Igarassu, obtidos a partir de oficinas e entrevistas. Desta forma, novos valores foram identificados de maneira a fundamentar a conservação de novas áreas do território e esta metodologia analítica favoreceu a percepção da distintas narrativas de valoração de um mesmo bem cultural. Evidenciou-se, portanto, a dimensão simbólica do patrimônio como esfera de reconhecimento e significância do território, através das sucessivas “camadas” de apreensão dos significados ao longo do tempo. A sobreposição ou somatório das distintas percepções e atribuições de valor, em tempos diversos, constituem-se, portanto, na significância cultural do território de Igarassu. Considerar as diferentes dimensões espaciais e fenômenos de diversas naturezas na atribuição de valor e em estratégias de conservação possibilita o entendimento da complexidade envolvida na gestão patrimonial. A análise em diferentes escalas viabiliza a leitura de problemáticas de naturezas distintas fomentando, então, a escolha de instrumentos de gestão e conservação adequados para cada problemática. Cria-se, assim, um sistema/rede de conservação articulado às políticas públicas brasileiras de planejamento territorial e urbano. Entender Igarassu como território e as lógicas de poder que o regem apresenta-se como possibilidade de gerar políticas públicas mais transparentes e que criem sentido no idioma público. Entender os bens em seu contexto territorial e/ou na sua relação com um território mais amplo pode oferecer uma nova perspectiva ao processo de patrimonialização.
